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24 de Janeiro de 2019
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    Assembléia homenageia o mestiço e o caboclo com sessão especial

    O Dia do Mestiço e o Dia do Caboclo, ambos comemorados neste mês, foram homenageados na Assembléia Legislativa com uma sessão especial no plenário Ruy Araújo. Várias personalidades, a exemplo de historiadores de universidades brasileiras receberam placas e troféus das mãos dos deputados pela contribuição à cultura cabocla e mestiça do Estado brasileiro.

    A autora da proposta, deputada Conceição Sampaio (PP) disse que o povo brasileiro não é homogêneo, mas formado por várias raças, etnias e o mestiço e o caboclo (ribeirinho) fazem parte dessa formação, daí se tratar de uma homenagem legítima e justa. A parlamentar lembrou que o artigo da Constituição Brasileira diz que todos são iguais perante a lei, "mas a gente sabe que ainda existem muitos atos discriminatórios e que precisam ser combatidos. A deputada lembrou que o Dia do Caboclo faz parte do calendário oficial do Estado do Amazonas, decorrente de uma lei de autoria do deputado Luiz Castro (PPS)

    Entre os contemplados com placas e troféus estava o historiador e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), José Roberto Pinto de Góes, que é PHD em reconhecimentos referente a cultura caboclo e mestiça. Outro homenageado foi o historiador e professor da Universidade Nacional de Brasília (UNB), Marcelo Hermes. O troféu caboclo foi entregue também ao historiador José Roberto Pinto.

    A vencedora do concurso de redação que teve como tema" A importância do mestiço e do caboco para o Amazonas ", realizado nas escolas da rede pública, foi a aluna Marcela Regina Hayde, da Escola Estadual Farias de Brito, onde curso , 3º ano do ensino médio. Ela ganhou um computador.

    Casa acolhedora

    A presidente do Movimento Nação Mestiça, Helda Castro de Sá, disse que esta casa legislativa sempre acolheu os mestiços e caboclos e que mais uma vez abriu as portas para homenagear esse grupo, que é a formação do povo brasileiro.

    O movimento conta com a participação de 2.000 mil associados no país, pois tem representação na Bahia, no Ceará, Roraima, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. No Amazonas, onde está sediado, possui 200 associados." Nosso movimento se encontra já estabilizado com muito trabalho, desenvolvido nas comunidades, sempre levando os direitos e deveres do cidadão ", garantiu a presidente da entidade.

    Neste semana o Auditório Belarmino Lins, da Assembléia Legislativa do Estado foi palco do III Seminário sobre a Identidade Mestiça, que aconteceu no dia 17, no horário de 13 a 17, tendo como palestrantes a professora de antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Yvonne Maggie, o professor de história, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), José Roberto Pinto de Góes, o professor da Universidade Federal de Roraima, Urcen de Miranda, e o professor de história da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Paulo Marreiro, que falou sobre a identidade mestiça no Amazonas.

    Segundo Elda Castro, o III Seminário foi um sucesso, porque contou com a presença de acadêmicos, antropólogos, sociólogos, historiadores, juiz de direito entre outros que deram sua contribuição." Foi benéfico para a população e a comunidade amazônica ", disse ela, ressaltando que 38% da população brasileira é formada por mestiços (cor parda) e no Amazonas, esse percentual chega a 68%.

    A programação prossegue até amanhã (20), com a realização na III Feira Manauara da Cultura Caboca, a ser realizada no Parque dos Bilhares, com exposições de artesanato, comidas típicas e shows musicais." Vamos discutir a questão da discriminação, os movimentos étnicos do Amazonas e a valorização da identidade mestiça ", afirmou Helda Castro. O professor da Universidade Federal de Roraima, Urcen de Miranda,

    trouxe uma visão jurídica para o debate, para mostrar que o mestiço e o caboclo têm direito de participar de toda a política de discussão em torno dos povos da Amazônia.

    O professor lembrou que a Constituição não consagra apenas o índio e o negro, mas também outros grupos a exemplo do caboclo é o mestiço da Amazônia que devem ter direito a voz, participação, ser reconhecido, respeitado e protegido, inclusive com direito a terra onde vive."Hoje na Amazônia estão expulsando o caboclo que vive há mais de 100 anos na região, taxando-os de invasores, grileiros, bandidos, quando na verdade são pessoas típicas da região", disse.

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